Um pouco da
sua história...
Falar
sobre Coimbra não é fácil sem que se sinta
alguma emoção.
Quem conhece esta “sempre menina e moça” cidade
dos estudantes e aqui passou algum tempo da vida,
ou estudou na sua secular Universidade, sabe
como Coimbra “é uma lição, de sonho e tradição”,
que nos deixa saudosas recordações!...
De ruas estreitas, especialmente na chamada
“Baixinha”, a toponímia medieval ainda se mantém
em muitas delas. São exemplos, entre outros, a
Rua dos Oleiros, a Rua das Azeiteiras, o Paço do
Conde, a Rua dos Sapateiros, a Rua da Moeda, a
Rua das Padeiras, e outras, com designações derivadas das
actividades económicas de então.
Ainda
hoje podemos passear por essas ruas estreitas,
pátios, escadinhas, ou admirar os seus arcos
medievais e as suas calçadas antigas, algumas
renovadas nos tempos modernos, mas mantendo a
sua tipicidade original.
Quantos não recordam lugares como Jardim da
Sereia, o Penedo da Saudade, a Fonte dos Amores,
as matas do Choupal e de Vale de Canas, o Jardim
Botânico... enfim, vários e românticos espaços
que tantas recordações e saudades deixaram a
quem um dia os conheceu!...
... "Coimbra foi a
primeira capital do reino, onde se fixou D.
Afonso Henriques, pouco depois da célebre
Batalha de S. Mamede (1128), situação que se
manteve durante quase dois séculos.
Coimbra foi berço de nascimento de seis reis de
Portugal e da Primeira Dinastia, assim como da
primeira Universidade do País e uma das mais
antigas da Europa.
Os Romanos chamaram à cidade, que se erguia pela
colina sobre o rio Mondego, Aeminium.
Mais tarde, com o aumento da sua importância
passou a ser sede de Diocese, substituindo a
cidade romana Conímbriga, donde derivou o seu
novo nome. Em 711 os mouros chegaram à Península
Ibérica, e Coimbra não foi esquecida.
Torna-se, então, um importante entreposto
comercial entre o norte cristão e o sul árabe,
com uma forte comunidade moçárabe. Em 1064 a
cidade é definitivamente reconquistada por
Fernando Magno de Leão.
Coimbra renasce e torna-se a cidade mais
importante abaixo do rio Douro, capital de um
vasto condado governado pelo moçárabe Sesnando.
Com o Condado Portucalense, o conde D. Henrique
e a rainha D. Teresa fazem dela a sua
residência, e viria a ser na segurança das suas
muralhas que iria nascer o primeiro rei de
Portugal, D. Afonso Henriques, que faz dela a
capital do condado, substituindo Guimarães (é
aliás esta mudança da capital para os campos do
Mondego que se virá a revelar vital para
viabilizar a independência do novo país, a todos
os níveis: económico, político e social).
Qualidade que Coimbra conservará até 1255,
quando a capital passa a ser
Lisboa.
No século XII, Coimbra apresentava já uma
estrutura urbana, dividida entre a cidade alta,
designada por Alta ou Almedina, onde viviam os
aristocratas, os clérigos e, mais tarde, os
estudantes, e a Baixa, do comércio, do
artesanato e dos bairros
ribeirinhos.
Desde meados do século XVI que a história da
cidade passa a girar em torno à história da
Universidade de Coimbra, sendo apenas já no
século XIX que a cidade se começa a expandir
para além do seu casco muralhado, que chega
mesmo a desaparecer com a reformas levadas a
cabo pelo Marquês de Pombal. Foi, no entanto, a
Universidade que a moldou, a enobreceu e
propiciou um núcleo urbano pleno de edifícios
notáveis.
A primeira metade do século XIX traz tempos
difíceis para Coimbra, com a ocupação da cidade
pelas tropas de Junot e Massena, durante a
invasão francesa e, posteriormente, a extinção
das ordens religiosas. No entanto, na segunda
metade de oitocentos, a cidade viria a recuperar
o esplendor perdido – em 1856 surge o primeiro
telégrafo eléctrico na cidade e a iluminação a
gás. Em 1864 é inaugurado o caminho-de-ferro e
11 anos depois nasce a ponte férrea sobre as
águas do rio Mondego”... (*)
Coimbra é uma cidade rica em arte
arquitectónica antiga, de que são exemplos a
Porta Férrea e a parte velha da Universidade,
além de tantos outros como: o Arco e a Porta de
Almedina, os Arcos do Jardim; os Conventos de
Santa Clara, de Santa Maria de Celas e de
São Francisco; as Igrejas de Santa Cruz, de
Santa Justa, dos Olivais, de São Bartolomeu, de
São Salvador e de Santiago; a Sé Velha, o
Palácio da Justiça; a Torre da Anto, a Quinta
das Lágrimas... (**)
Coimbra é, enfim, uma cidade com uma mística
muito "sui generis", não apenas pelo seu passado
histórico mas, em grande parte, pela sua antiga
Universidade, fundada por D. Dinis, que foi
sempre um pólo de atracção onde muitos jovens
almejaram cursar. Jovens oriundos das mais
diversas regiões do país, como até de outras
origens – nomeadamente de Angola, Moçambique, S.
Tomé e Príncipe, Brasil...etc., ainda hoje
espalhados pelos vários cantos do Mundo, que
aqui passaram alguns anos da sua juventude e
aqui tiveram os seus sonhos, os seus amores,
folguedos e
esperanças.
(**) – Pesquisa
in“Wikipédia”
(**) – Ver nesta
página
excerto do poema de Camões sobre o
“Episódio da Morte de Inês
Castro”;
O FADO
DE COIMBRA...
«O fado de
Coimbra é uma canção tipicamente portuguesa, que
surgiu em Coimbra, na sua secular Academia.
Segundo
Francisco Faria, trata-se de "uma canção terna,
docemente saudosista, mas jovem no seu vigor, no
idealismo das atitudes, na esperança de um amor
realizável que se oferece, ao mesmo tempo
espontâneo e elaborado, de melodia bem
contornada e simultaneamente um pouco
rebuscada."
"Sobre a sua origem muito haveria a dizer e
muito se tem dito. Há hipóteses que indicam que
o fado descende de melodias Árabes, outros
afirmam que de melodias Africanas e até há quem
o identifique como sendo descendente de antigas
canções Brasileiras.
O fado de Coimbra é normalmente caracterizado
por uma relativa sobriedade, que permite
caracterizar e distinguir determinada melodia de
outra. A guitarra é o instrumento típico para
tocar o fado: é ela, que, com os seus acordes,
personaliza cada tipo de fado, acordes esses que
são secundados pela viola que acompanha a
melodia executada pelo guitarrista. A guitarra
de Coimbra, pela sua estrutura e configuração, é
um instrumento do qual se obtêm acordes
completos, que só por si caracterizam de uma
maneira muito especial a música Coimbrã, e para
isso contribui a colocação das cordas
ligeiramente altas em relação aos "trastos", e
metidas em toda a estrutura do instrumento,
características estas, que, só por si, chegam
para imprimir um cunho muito especial ao Fado de
Coimbra".
Quando se fala no fado de Coimbra, a ideia de
estudante está implícita, pois eram e são eles,
salvo raras excepções que o cantam e tocam.
"É inegável que o fado de Coimbra sempre teve
uma ligação muito estreita com a Academia,
fazendo, mesmo parte integrante de quase todas
as manifestações de índole estudantil, como por
exemplo a Queima das Fitas.
É de igual modo inegável que foram os estudantes
os responsáveis pela evolução até aos nossos
dias do fado Coimbrão; foram eles, pois, que lhe
deram a sua actual forma, transpondo, para aí,
situações ligadas à vida estudantil e tendo, por
vezes, o próprio fado, a vida académica como
título.
Mais do que simplesmente regional, o fado de
Coimbra tem sido um digno representante da nossa
cultura onde quer que tenha sido tocado, levando
a todos os cantos do Mundo um pouco da maneira
de ser e sentir das gentes de Portugal.
O fado de Coimbra, de quem as noites da Velha
Alta conheceram vozes inconfundíveis ecoando e
repercutindo por vielas, recantos e escadinhas
penetrando por arcos e silenciosas janelas, é
sem dúvida uma das mais expressivas
manifestações artísticas e culturais da gente de
Coimbra e de Portugal.
Esta Academia tem responsabilidades, pois foi
ela que, ao longo de gerações, o criou e
desenvolveu."
-
(in
revista "Semana Académica", Coimbra -1979)
-
(in Código da Praxe Académica de
Coimbra, 1993)
-
(citado na Página oficial
da SFAAC)
-
-

EPISÓDIO DE
INÊS DE CASTRO"
(CAMÕES)
(excerto)
Estavas,
linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
***
As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memorara,,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram;
O nome lhe puseram, que inda dura,
"Dos amores de Inês", que ali passaram.
- Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são água, e o nome Amores!
-
Nandus
2006

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