Fernando Reis Costa

Não tardará, enfim o derradeiro dia

Em que defunto fico, um espantalho

A quem se dá somente o agasalho

Da terra que há de cobrir a campa fria!

 

Então se findam a tristeza e alegria!

Se vão também o tédio e o trabalho.

Não mais verei das folhas o orvalho

Nem mais serei do pobre a poesia!

 

No meu último suspiro, sem vigor,

O que eu vou desejar – vê se adivinhas...

Assim que chegada a minha hora for:

 

É o sentir as tuas mãos sobre as minhas;

Deixar-te, como herança, o meu amor

No enlevo da paixão que por mim tinhas.

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