

(M. Cid
Teles)
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Eu
era um pobre trapo esfarrapado
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Que
na estrada da vida enfim
caíra...
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Em
mim havia só revolta e ira
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E
más recordações de um mau
passado!...
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Eu
era o sem ninguém, o
desprezado
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O que em má hora a luz da vida
vira...
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O
que a calúnia torpe e a
mentira
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Tinham
ao abandono condenado!...
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* *
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Eu
era assim, eu era assim bem
sei
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Até
que por milagre te encontrei
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Como
luz de arrebol na escuridão...
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Que força poderosa tem o amor
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Para
poder dar alma e dar calor
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A um farrapo
apanhado pelo chão!...

(do meu
Amigo e conterrâneo M. Cid
Teles)


(M.
Cid Teles)
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É
este o meu soneto! O que
traduz
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Tudo
quanto eu quis ser, e o que se
passa
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Neste
coração rasgado em cruz
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P’lo
cinzel aguçado da desgraça!...
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Muralha
de ressaca, fogo e luz.
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Rajada
de tragédia que perpassa...
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Outro
que eu ame tanto não compus.
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Ele
é o que eu não sou, por mais que
faça!...
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É
este o meu soneto bem-amado...
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Nele
quero ficar perpetuado
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Quando
chegar o derradeiro sono!
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* * *
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Rio
sem foz, estrela sem ter céu!
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Tu
és tal qual eu sou, tu és como
eu
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Ó
meu soneto amado, não tens
dono!...
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(do meu Amigo
e conterrâneo M. Cid
Teles)
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